Vírus H1N1 exige atenção à saúde alerta especialista

Postado em: 31/03/2016

Nos últimos dias, mais um vírus passou a se tornar preocupação geral da população, o vírus da gripe A (H1N1), também conhecida como gripe suína. Os números de casos e de óbitos este ano, nesta época, já superou muito os do ano passado, no mesmo período.

Para alertar sobre os sinais desta doença e esclarecer dúvidas, a infectologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Dra. Marilia Jukemura Miyagusko, concedeu a entrevista a seguir:

O que é a gripe A (H1N1)?
Dra. Marilia Jukemura Miyagusko -
A influenza, mais conhecida como gripe, é uma doença viral, febril, geralmente benigna e que evolui para cura em cerca de 7 dias. Frequentemente tem início súbito, com febre, calafrios, dor de cabeça, dor no corpo (mialgia), tosse seca, dor de garganta e coriza.
Existem 3 tipos de vírus da influenza: A, B e C. 
O vírus A e B são os responsáveis por epidemias. O tipo C é responsável por infecções brandas, de pouca importância epidemiológica.
O vírus Influenza A é responsável pelas grandes pandemias (epidemias no mundo), sendo classificados em subtipos A (H1N1) e A (H3N2) são os que circulam atualmente em humanos;
Portanto, H1N1 é um subtipo do vírus Influenza A (gripe).

Como é causada e como ocorre a transmissão?
Dra. Marilia Jukemura Miyagusko - O vírus influenza A está presente na natureza, incluindo humanos, aves, suínos, cavalos, focas e baleias.
A transmissão ocorre através das secreções das vias respiratórias de uma pessoa contaminada como falar, espirrar ou tossir. Também pode ocorrer por meio das mãos, que após o contato com objetos ou superfícies contaminadas por secreções respiratórias de um indivíduo infectado, podem levar o vírus diretamente para a boca, nariz e olhos.
O período de incubação, isto é, do contato até a manifestação da doença, é de 1 a 4 dias; o de transmissão em humanos ocorre 24 horas antes do início dos sintomas e dura até 5 a 10 dias após o surgimento dos sintomas. Em crianças esse período dura em média 10 dias e em pacientes com baixa imunidade, por mais tempo.

Quais são os sintomas dessa doença?
Dra. Marilia Jukemura Miyagusko - Podemos classificar em 2 grupos:
1. Síndrome Gripal: maioria dos pacientes
- Febre (temperatura maior que 37.8°), com melhora dos picos febris em 2 a 3 dias e normalização no 6º dia. Obs.: A febre é mais alta em crianças; 
- Calafrios, mal-estar, cefaleia, mialgia, dor de garganta, dor nas articulações, coriza abundante e tosse seca;
- Podem ainda apresentar: diarreia, vômito, fadiga, rouquidão e hiperemia conjuntival (vermelhidão nos olhos);
- A maioria dos casos de gripe (influenza) curam espontaneamente em 7 dias.
2. Síndrome respiratória aguda grave (SRAG)
- Caracteriza-se por um desconforto respiratório (falta de ar) importante, por vezes muito grave, com necessidade de internação em UTI.
As complicações e evoluções graves podem acontecer em determinados grupos de pacientes, como:
- Grávidas em qualquer idade gestacional; puérperas até 2 semanas após o parto (inclusive as que tiveram aborto ou perda fetal); adultos com mais de 60 anos; crianças menores de 5 anos; jovens menores de 19 anos que usam prolongadamente ácido acetilsalicílico; asmáticos; tuberculosos; cardiopatas; nefropatas; diabetes; doença hematológicas; transtornos neurológicos (epilepsia, síndrome de Down, AVC, etc.); imunodepressão (pacientes com câncer e HIV) e obesidade.

Como é realizado o diagnóstico?
Dra. Marilia Jukemura Miyagusko -
Para os casos que necessitam de internação, recomenda-se coleta do material da orofaringe (parte da garganta logo atrás da boca) para pesquisa do H1N1.

Como é realizado o tratamento?
Dra. Marilia Jukemura Miyagusko -
Existe um protocolo do Ministério da Saúde com as recomendações para crianças e adultos; a medicação chama-se “Oseltamivir” e é distribuída pela rede pública.

Existe vacina para essa gripe?
Dra. Marilia Jukemura Miyagusko –
Existe, provavelmente à disposição da população na rede pública em abril deste ano.

Recomendações
Para proteger-se contra a infecção ou evitar a transmissão do vírus, o Center Deseases Control (CDC) recomenda:
• Lavar frequentemente as mãos com bastante água e sabão ou desinfetá-las com produtos à base de álcool;
• Jogar fora os lenços descartáveis usados para cobrir a boca e o nariz, ao tossir ou espirrar;
• Evitar aglomerações e o contato com pessoas doentes;
• Não levar as mãos aos olhos, boca ou nariz depois de ter tocado em objetos de uso coletivo;
• Não compartilhar copos, talheres ou objetos de uso pessoal;
• Suspender, na medida do possível, as viagens para os lugares onde haja casos da doença;
• Procurar assistência médica se surgirem sintomas que possam ser confundidos com os da infecção pelo vírus da influenza tipo A.

(Foto: Denis Fonseca)

Dra. Marilia Jukemura Miyagusko é médica infectologista do HNB e Doutora em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


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