Saiba tudo sobre HPV

Postado em: 03/08/2016

Atualmente, muito se fala sobre HPV, para entender melhor a respeito deste vírus, o ginecologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Dr. Julio Mitsutomo Toyama, escreveu um artigo detalhado sobre o tema. Confira!

HPV
O Papiloma Vírus Humano, ou mais comumente denominado HPV, é um vírus predominante de transmissão sexual. É altamente contagioso e prevalente em aproximadamente 85% dos indivíduos sexualmente ativos. Estudos científicos têm demonstrado a relação deste vírus como causa de diversas patologias clínicas benignas e malignas, principalmente, localizados em trato genital do sexo feminino (vulva, vagina e colo) e em menor incidência em região anal, genital, cavidade oral, faringe, laringe e genital masculino.  Entretanto, se destaca, hoje de modo inquestionável, a relação entre a presença do HPV e a evolução para câncer de colo uterino.

O câncer de colo uterino é o segundo tipo mais comum na América Latina. No Brasil, estima-se 25 casos em cada 100 mil mulheres, evolui com o desenvolvimento deformas graves de patologias do colo uterino. O HPV foi identificado como fator relacionado na gênese do câncer de colo uterino, pela primeira vez, aproximadamente há 40 anos. Nos dias atuais, são conhecidos mais de 100 subtipos, divididos em dois grupos, de baixo e alto risco para o câncer de colo uterino. Os subtipos de número 16 e 18 são os mais prevalentes nos tumores malignos do colo uterino, estando presentes em 70 % dos casos, enquanto os subtipos 6 e 11 estão presentes nas lesões benignas.

DIAGNÓSTICO
As lesões vulvares são observadas na maioria das vezes pela paciente, o que leva a procura do seu ginecologista para iniciar o diagnóstico e tratamento. Entretanto, as lesões vaginais e do colo uterino, inicialmente, não apresentam sintomas claros notados pela paciente. A sua detecção depende da realização de exames preventivos, entre os quais se destaca a colpocitologia oncótica, mais conhecido como Papanicolau. Nesse teste, a presença de um tipo celular denominado coilócito, apresenta correlação com a presença do HPV. No laudo, ainda, as seguintes alterações podem ser descritas: ASC-US, ASC-H, AGC, LSIL, HSIL, carcinoma epidermóide invasor, além do adenocarcinoma in situ e invasor. Entre esses resultados, o ASC-US ou atipia escamosa de significado indeterminado é o mais prevalente, seguido pelo LSIL ou lesão intraepitelial de baixo grau, e HSIL ou lesão intraepitelial de alto grau, englobando os anteriormente denominados NIC II e NIC III.

Outro exame, a colposcopia auxilia na determinação da localização e extensão da lesão, em conjunto com a realização de biópsia que confirma ou não o achado da citologia oncótica, contribui para a formulação da melhor opção terapêutica para cada mulher. Em casos de dúvida diagnóstica, principalmente na discrepância de resultados da citologia e biópsia, pode ser necessária a realização de exames empregando métodos moleculares de detecção do DNA do HPV. As técnicas utilizadas na prática clínica, atualmente, são o PCR (polimerase chain reaction), captura híbrida e a hibridização in situ. Alguns desses testes também podem ser indicados no aconselhamento de pacientes sexualmente ativas, quanto a necessidade e eficácia da vacinação disponível para o HPV.

Uma vez realizado o diagnóstico de lesão pelo HPV, alguns fatores devem ser considerados para a indicação do tratamento mais adequado.  Idade de início da atividade sexual, histórico pregresso ginecológico e obstétrico, tabagismo e avaliação do status imunológico, incluindo doenças, comportamentos de risco e medicamentos que podem diminuir a atividade imunológica. Entre as condições clínicas que acarretam imunodeficiência, valem destacar a gestação, doenças crônicas como Diabetes ou Lúpus eritematoso sistêmico, infecciosas como o HIV e entre os medicamentos o uso de corticóides de modo prolongado.

TRATAMENTO
Nos dias atuais, o tratamento pode variar do simples uso de cremes locais e acompanhamento de exames periódicos, até a realização de cirurgia radical com a retirada de todo o órgão acometido. A terapêutica é indicada levando-se em conta basicamente dois fatores: a melhora da imunidade e destruição ou retirada do tecido lesionado. Para modular a atuação do sistema imune, o uso do Imiquimode, vem sendo empregado, em lesões vulvares e vaginais. Como coadjuvantes deste tratamento podem ser usados em conjunto a Equinacea púrpura e Thuya occidentalis. Já nos métodos destrutivos, se destaca o uso do ácido tricloroacético, podendo variar a concentração entre 50 e 90%, e a podofilina, devido a facilidade de aplicação e custo baixo. Outros métodos de como a cauterização térmica necessitam de aparelhagem específica, destacando-se a laserterapia, nos casos com grande extensão da lesão. Nas lesões de alto potencial de malignização (NIC II E NIC III), a conização é o método de escolha. Já no câncer de colo uterino pode ser realizada a histerectomia com ou sem rádio ou quimioterapia.

VACINA
Hoje, tem sido depositada uma enorme esperança no uso profilático da vacina do HPV, de modo a diminuir a infecção por esse vírus, e consequentemente do câncer de colo uterino. Contudo, ainda não é conclusiva, a prevenção de 100% dos casos em contato com o HPV. Evitar comportamentos de risco de transmissão do vírus, evitando o contato de secreções contendo células contaminadas, considerando, principalmente, o uso do preservativo, ainda são necessários. Ademais, adotar um estilo de vida com melhora da alimentação, horas de sono adequadas, realização de atividades físicas e evitar o tabagismo, podem contribuir para a melhora da imunidade e diminuir a incidência de infecção pelo HPV.

Foto: Raissa Lira

O Dr. Julio Mitsutomo Toyama possui residência em Ginecologia e Obstetrícia e Mestrado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Responsável pelo setor de Patologia Cervical do Ambulatório da Mulher e do Pronto Atendimento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Nipo-Brasileiro.


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