Projeto Parto Adequado atende às demandas da população

Postado em: 06/01/2016

O Hospital Nipo-Brasileiro (HNB) participa de uma iniciativa inovadora, visando capacitar hospitais privados e públicos para a aplicação das diretrizes do parto adequado: incentivar partos normais em pacientes de baixo risco e fazer cesarianas somente quando elas forem realmente necessárias.

Desde o início de 2015, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement (IHI) desenvolvem o Projeto Parto Adequado, com o apoio do Ministério da Saúde, buscando valorizar o parto normal e reduzir o percentual de cesarianas desnecessárias na saúde suplementar.

“Ao longo do tempo, tivemos uma organização do trabalho do médico na qual era mais fácil agendar todas as pacientes para o mesmo horário para se fazer a cirurgia (do parto). E os hospitais foram se adaptando a essa realidade. Todo o sistema de saúde foi se moldando para favorecer o procedimento cesariano”, afirma a diretora de desenvolvimento setorial da ANS, Martha Oliveira. Segundo a diretora da ANS, o Brasil tem a maior taxa de cesarianas do mundo, estimada em 72,8%.

No total, 42 hospitais de todo Brasil se candidataram voluntariamente para o programa, que avalia diversos indicadores e fornece apoio, consultoria e ferramentas de gestão. Em março, foi divulgada a lista com 28 hospitais selecionados, incluindo o Hospital Nipo-Brasileiro. Em maio, os hospitais assinaram os termos de adesão ao projeto e deram início às atividades.

“Como corpo clínico do Hospital Nipo-Brasileiro, temos a obrigação de contribuir para o aprimoramento da medicina brasileira e por consequência oferecer atendimento de qualidade. O projeto é uma tentativa de reverter o excessivo número de cesáreas desnecessárias que temos no Brasil, oferecendo esta opção às mulheres que desejam o parto vaginal, além de profissionais competentes e estrutura hospitalar adequada, para que o procedimento seja realizado com segurança e conforto”, relata o Dr. Carlos Alberto Kendy Kumagai, tocoginecologista e Coordenador do Setor de Ginecologia e Obstetrícia.

(Foto: Erika Yamauti / Asteya Comunicação e Eventos)

“O desafio é oferecer treinamento para as equipes multiprofissionais que participam do processo, depois montar uma infraestrutura hospitalar adequada e com remuneração justa pelo governo e pelas operadoras de saúde, e também mostrar para as pacientes que elas têm o direito a um atendimento de qualidade, independentemente da via de parto que elas optarem, inclusive no atendimento prénatal”, resume o Dr. Kendy.

ESTRUTURA E INFORMAÇÃO

O Hospital Nipo-Brasileiro realiza cerca de 260 partos por mês, com dois médicos obstetras e uma enfermeira obstetra por turno, sempre priorizando a segurança, o conforto, a estrutura e o atendimento humanizado. A meta inicial, alcançada pelo Hospital em poucos meses, era aumentar a taxa de partos vaginais de 10% para 40%.

Algumas inovações implantadas pelo programa foram a melhoria do Partograma, curso de gestantes, plano de parto, termo de consentimento e programa Parto Participativo, além da realização de pesquisa de satisfação mais ativa.

“Estamos trabalhando um pacote de mudanças e melhorias. É uma inovação, e a equipe está orgulhosa com essa nova organização de cuidado e do sistema de informações, que permite empoderar as gestantes e as famílias para escolher o cuidado mais adequado”, aponta o gerente médico do Hospital Nipo-Brasileiro, Dr. Rodrigo Borsari.

O programa é fundamental para atender uma demanda da própria população. “As mulheres têm pedido pelo parto normal e a nossa equipe já vinha dando esse respaldo. É importante respeitar o desejo da parturiente, é isso que fazemos no Hospital Nipo-Brasileiro. Em primeiro lugar está a opinião da paciente, informamos os benefícios e riscos de cada método, damos a oportunidade de aprendizado e disponibilizamos a estrutura do Hospital para respeitar o desejo da parturiente, para ter o parto da forma que ela desejar”, informa o Dr. Borsari.

O grande desafio do Projeto Parto Adequado é justamente a mudança cultural da população. “São meses de trabalho, mas o resultado só será visível em décadas. Temos todo o respaldo da diretoria e da liderança, para desenvolvermos uma ação conjunta, mostrando como uma ação do Hospital pode estar associada à comunidade”, explica o gerente médico.

(Foto: Erika Yamauti / Asteya Comunicação e Eventos)

“É importante lembrar da alta qualidade do nosso berçário, chefiado pelo Dr. Dirceu Kasuaki Matsuda, com uma equipe competente e experiente de neonatologistas que fazem com que os nossos indicadores de qualidade do berçário o coloquem como um dos melhores do nossa cidade”, complementa o Dr. Kendy.

SESSÃO PRESENCIAL

Em outubro, o Dr. Rodrigo Borsari participou da 3ª Sessão de Aprendizagem Presencial (SAP), realizada em São Paulo, reunindo operadoras, apoiadoras e hospitais pilotos de todo Brasil para mostrar os resultados preliminares do projeto, além de promover discussão conjunta sobre formas de remuneração e questões relacionadas ao programa.

(Foto: Erika Yamauti / Asteya Comunicação e Eventos)

“Agradecemos por todo engajamento, nunca houve uma discussão tão aberta e transparente, fiquei comovido com os resultados. Temos esse grande desafio, que é mostrar às gestantes os riscos da cesárea desnecessária”, analisa o Dr. Miguel Cendoroglo Neto, diretor-superintendente do Hospital Israelita Albert Einstein e um dos coordenadores do Projeto.

CURSO PARA GESTANTES

Pensando na preparação e nas orientações para futuras mães e pais, o Hospital Nipo-Brasileiro oferece um curso especial para gestantes, o Gestando, com dicas sobre os cuidados essenciais com o bebê e com a mãe. O curso é ministrado mensalmente, por médicos ginecologistas e obstetras, neonatologista, enfermeiras, além de fisioterapeuta, nutricionista e psicóloga, com investimento de R$ 120,00 por casal.

A expectativa principal dos casais que frequentam o curso é o aprendizado, a redução da ansiedade e das dúvidas que existem nesse momento tão importante da vida. “Esperamos reduzir as incertezas e tornar a experiência da família, com a vinda de um novo e tão esperado membro, encantadora e inesquecível. Esse curso é fundamental, tanto para os pais como para os profissionais de saúde. Essa proximidade dos principais atores cria cumplicidade e gera empatia, tornando naturalmente a assistência ao parto mais humanizada, um momento único e feliz como deve ser”, finaliza o Dr. Rodrigo Borsari.

INFORMAÇÕES:
Curso Gestando

Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC)
(11) 2633-2273 e 2633-2528
www.hospitalnipo.org.br/pagina/maternidade

O PROJETO EM NÚMEROS

  • 42 hospitais e maternidades privados de todo o Brasil fizeram inscrição para participar do projeto-piloto;

  • Das 42 instituições inscritas, oito estão entre as 30 maiores em volume de partos do país e 12 entre as 100 maiores;

  • 24 hospitais privados e 4 maternidades do Sistema Único de Saúde (SUS) fazem parte do projeto-piloto;

  • Na saúde suplementar, o índice de cesarianas é de 84,6% e na saúde pública, chega a 40%;

  • Com a aplicação da metodologia do projeto, experiências anteriores registraram crescimento de partos normais de 20% para 55% e redução das admissões em UTI neonatal de 155 para 46 em cada 1.000 nascidos vivos.


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