Os benefícios do chá verde para a saúde

Postado em: 09/08/2016

No Japão, o hábito de tomar chá verde é tão cotidiano e simbólico que se integrou ao dia-a-dia da população, como o nosso tradicional “cafezinho” de todos os dias aqui no Brasil. Além de ser uma bebida repleta de significado para os japoneses, o chá verde também pode trazer muitos benefícios à saúde.

“Desde a história antiga até os dias de hoje, a medicina tem acumulado evidências na relação entre a dieta, alimentos e as doenças. Os produtos naturais, ervas e especiarias foram usados no passado para prevenir doenças, e nos dias atuais, tem ganho cada vez mais consideração na sua aplicação em fitoterapias’, explica o Dr. Cesar Quintão Brant, coordenador da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB).

Um grande exemplo deste novo contexto é justamente o chá verde: cultivado na China e no Sudeste Asiático por milhares de anos, corresponde a 20% de todo chá consumido no mundo, não só pelo seu paladar, mas sobretudo pelas suas atribuições benéficas na saúde do indivíduo.

O chá verde é obtido a partir da planta Camellia sinensis. As suas folhas fermentadas produzem o chá preto, e as folhas não fermentadas produzem o chá verde. É rico em flavonoides, pigmentos solúveis em água que compõem o grupo dos chamados polifenólicos, que também são encontrados no chocolate amargo, no vinho tinto e nas frutas cítricas. A substância que produz o efeito benéfico do chá verde é a catequina, com forte ação antioxidante, que atua de forma benéfica no organismo.

“No chá verde, a catequina constitui em torno de 80 a 90% dos flavonoides totais, enquanto no chá preto, eles são em torno de 20 a 30%. O chá verde possui alto conteúdo de vitaminas e minerais, pois uma xícara de chá supre entre 5 a 10% das necessidades diárias de riboflavina, niacina, ácido fólico e ácido pantotênico. Fornece também 45% dos requerimentos diários de manganês, 25% de potássio e 5% de magnésio”, informa o Dr. Brant.

Portanto, é uma bebida que faz bem para o organismo, mas não devemos exagerar: “Não se esqueça que o chá verde contém cafeína, por isso o seu excesso pode causar estimulação do sistema nervoso central e patologias do trato gastrointestinal. A dose recomendada para os efeitos terapêuticos é de 3 xícaras diárias. Para melhorar a absorção dos seus compostos ativos, é melhor consumir com o estômago vazio, antes do desjejum, almoço e jantar”, recomenda o médico.

Pesquisas clínicas e estudos técnicos

Em estudos experimentais, o chá verde possui alto efeito anti-inflamatório e antioxidante, com potencial para atuar na prevenção de várias doenças e ser coadjuvante na terapia anticâncer. Entretanto, quando se testa em laboratório, a concentração de catequinas na cultura de células marca entre 10 a 100 μg (microgramas). Na realidade, quando se realiza o estudo clínico, o paciente que toma 2 xícaras de chá atinge apenas 0,17 μg, não alcançando os mesmos efeitos. “Nem sempre o que é benéfico experimentalmente consegue ser provado clinicamente”, lamenta o Dr. Brant.

Mesmo assim, está comprovado o efeito positivo dos flavonoides no combate ao glaucoma, a segunda maior causa de cegueira no mundo, que atinge 60 milhões de pessoas. De acordo com os pesquisadores, os flavonoides podem melhorar a função visual dos pacientes com glaucoma, retardando a progressão da perda do campo visual.

Além disso, nas doenças cardiovasculares, há evidências que o chá verde reduz estatisticamente o colesterol total, o LDL colesterol e a pressão sanguínea. Finalmente, em metanálise publicada pelo Gynecologic Oncology em 2016, mostrou-se que o chá verde reduz o risco para câncer endometrial, e o mesmo efeito não foi verificado com o chá preto.

Por outro lado, não foi comprovada a crença popular na perda de peso influenciada pelo consumo do chá verde. “Esta mudança funciona dentro do contexto de uma modificação do hábito alimentar, buscando uma dieta saudável, mas a pesquisa não comprovou benefícios, mesmo que o chá verde tenha cafeína e seja termogênico. Tomar só chá verde para emagrecer, não funciona. Os pilares fundamentais para o controle da obesidade são a diminuição da ingestão calórica e o aumento da atividade física”, finaliza o Dr. Brant.

O chá verde no Japão

Uma antiga lenda chinesa conta que o imperador Shen Nung, um filósofo que bebia apenas água fervida, estava descansando perto de uma árvore, quando o vento soprou e algumas folhas caíram no recipiente em que ele fervia a água. O imperador observou, viu que as folhas produziram uma infusão e decidiu provar a bebida, que considerou saborosa. Segundo a lenda, foi assim, por acidente, que o chá foi inventado. Na verdade, os chineses já produziam e bebiam chá desde a Antiguidade.

Em 729, os monges budistas levaram o chá ao Japão. Durante muito tempo, o chá foi considerado um medicamento reservado a poucos privilegiados. Aos poucos, os samurais também adotaram o hábito de beber chá, seguindo certas regras e procedimentos que os participantes de uma reunião de chá deveriam obedecer. Assim desenvolveram-se os fundamentos da "chanoyu" – a cerimônia do chá - que se caracteriza por servir e beber o "matcha", o chá verde pulverizado.

No período Edo (1603-1867) o hábito do chá espalhou-se entre os ricos comerciantes e não demorou muito para também cair no gosto das pessoas mais simples, tornando-se desde então um hábito efetivamente popular. Até hoje, o desenvolvimento das maneiras cotidianas da maioria dos japoneses tem sido influenciado basicamente por formalidades como as que são observadas na cerimônia "chanoyu".

Uma seleção de chás japoneses

De maneira geral, todos os chás típicos do Japão são verdes, ou seja, o processamento das folhas é feito de forma rápida, para evitar o processo de fermentação natural. O sabor característico do chá verde japonês é resultado do processo no qual as folhas são passadas no vapor, o que evita a oxidação, preserva a cor natural da folha e um sabor suave com fundo amargo. Em seguida, as folhas são enroladas, desidratadas e posteriormente picadas ou moídas, transformando-se no chá que encontramos no mercado.

Gyokuro – conhecido como “orvalho precioso” ou “joia do chá verde”, é o chá da mais alta qualidade e produz um néctar amarelo vivo, muito aromático, pouco amargo e com traços adocicados. Também é o mais caro.

Matcha – é o chá usado na cerimônia do chá, que também é tomado em ocasiões informais e servido em casas de chá estilo tradicional. A própria folha do chá é transformada em pó bem fino e verde, sendo dissolvida em água quente com instrumentos especiais. É um chá extremamente amargo, para ser acompanhado por um doce típico japonês.

Sencha – chá de qualidade média, é feito com as folhas do auge da safra (80% da produção de chá do Japão destina-se ao sencha, que é preferência nacional). Ele produz um néctar amarelo, de sabor levemente amargo e aromático.

Bancha – também conhecido como “chá de colheita tardia”, é feito com as folhas do final da safra, maiores e um pouco duras. Era antigamente considerado o chá mais popular e barato, por produzir um néctar amarelo claro de sabor mais fraco que o sencha. Com sabor mais discreto, tornou-se o preferido pelos idosos e pelas crianças.

Fonte: www.culturajaponesa.com.br e Embaixada do Japão no Brasil.


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