Oftalmologista ensina como tratar e prevenir a conjuntivite

Postado em: 24/05/2016

Vermelhidão, coceira, inchaço, lacrimejamento, sensação de areia, queimação ou corpo estranho nos olhos, são sintomas da famosa conjuntivite. Apesar de ser conhecida devido a sua grande frequência, essa doença ainda gera dúvidas, pois muitas pessoas pensam que a maioria dos casos acontece somente no verão, quando na verdade em períodos de baixa umidade do ar a incidência também pode aumentar.

A médica oftalmologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Ruth Miyuki Santo, esclarece na entrevista a seguir o que é conjuntivite, quais são os sintomas, como preveni-la e tratá-la.

O que é conjuntivite? Existem quantos tipos da doença? Qual a diferença de cada uma?
Dra. Ruth Miyuki Santo - Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, que é a membrana mucosa que recobre a parte branca do olho. Pode ocorrer em qualquer grupo etário, sem predileção por sexo. As causas são diversas, podem ser de origem infecciosa, alérgica, irritativa, tóxica, relacionada a problemas das pálpebras ou decorrente de uma doença sistêmica. As conjuntivites mais comuns são as infecciosas e alérgicas. Dentre as infecciosas, as mais frequentes são as causadas por vírus, seguida pelas conjuntivites bacterianas. Os vírus que causam conjuntivite com maior frequência são os adenovírus.

Como evitar a conjuntivite?
Dra. Ruth Miyuki Santo - Como as conjuntivites adenovirais são altamente transmissíveis, alguns cuidados devem ser tomados para evitar a disseminação. Os pacientes devem ser orientados a respeito das medidas preventivas, como lavar as mãos antes e após a manipulação dos olhos, separar objetos de uso pessoal, evitar cumprimentos com as mãos, beijos, usar lenços de papel descartáveis. Também devem suspender uso de lentes de contato e maquiagem. Para evitar o contágio, recomenda-se às pessoas saudáveis sempre lavar as mãos com água e sabão e, se não for possível, usar álcool em gel, sobretudo em época de epidemia, e não coçar ou levar as mãos em contato com os olhos.
As conjuntivites alérgicas resultam de uma propensão individual. Estudos estimam que 15% a 20% da população mundial sofra de alergia ocular. A incidência pode ocorrer durante o ano todo, mas em períodos de baixa umidade do ar e épocas sazonais, como a primavera, aumenta. A alta concentração de partículas de poluição e pólens de plantas no ar são algumas das razões. Entre os tipos de alergia mais comuns estão as rinoconjuntivites alérgicas. A alergia ocular acontece quando a conjuntiva, inflama devido ao contato com partículas presentes no ar, tais como: poeira doméstica, mofo, pelos de animais, poluição e pólen de árvores e plantas. A alergia por si só não é contagiosa, mas muitas vezes, a conjuntiva inflamada fica mais vulnerável à infecção e pode haver sobreposição da conjuntivite alérgica com infecciosa. Nos casos de alergia, a conjuntivite pode ser prevenida evitando-se a exposição aos alérgenos e com uso de medicações antialérgicas.
  
Quais são os sintomas?
Dra. Ruth Miyuki Santo - Os sintomas incluem secreção, lacrimejamento e vermelhidão ocular, coceira, sensação de queimação ou corpo estranho nos olhos, inchaço da conjuntiva e da pálpebra. O tipo de secreção varia com a causa, nas virais é mais aquosa (lacrimejamento excessivo), na conjuntivite bacteriana é purulenta e na alérgica é mucoide. Em geral, não há comprometimento da visão, mas devido à secreção pode ficar temporariamente turva. A dor também não é sintoma frequente, há mais sensação de corpo estranho e ardor. Nas conjuntivites infecciosas, em geral o quadro começa com um dos olhos e na evolução pode acometer os dois olhos. Nas alergias, geralmente os dois olhos estão afetados.

Como é realizado o diagnóstico?
Dra. Ruth Miyuki Santo -
O diagnóstico é clínico, comprovado pelo exame oftalmológico. E não é necessário exame laboratorial na maioria dos casos.

Como é realizado o tratamento para a conjuntivite?
Dra. Ruth Miyuki Santo -
O tratamento depende da causa. Nas conjuntivites por adenovírus, que são as mais comuns, não há tratamento específico, e não há colírio efetivo contra o adenovírus disponível comercialmente no Brasil. Estão indicadas medidas de apoio, como limpeza e compressas frias com solução salina 0,9% (soro fisiológico) ou com água filtrada ou mineral. Não é recomendado o uso de água boricada (pode ser irritante e alergênica). Para alívio do desconforto estão indicados os lubrificantes oculares.
Nas conjuntivites bacterianas pode ser necessário o uso de colírios com antibióticos, além das medidas de apoio.
As conjuntivites alérgicas, em geral são repetitivas e podem evoluir de forma crônica. Requerem avaliação pelo oftalmologista e uso de colírios que agem de forma aguda nas crises, e de forma preventiva.

(Foto: Raissa Lira)

Dra. Ruth Miyuki Santo é graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); fez residência em Oftalmologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP); é Doutora em Medicina pela Universidade Juntendo, de Tóquio, Japão e pela Universidade de São Paulo (USP); é Professora Assistente do Departamento de Oftalmologia - HC-FMUSP e Docente do Curso de Pós-Graduação em Oftalmologia da FMUSP.


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