Inverno requer cuidado redobrado para evitar meningite infantil

Postado em: 20/06/2014

A estação mais fria do ano, o inverno, que tem início no dia 21 de junho e termina em 20 de setembro, requer cuidados redobrados com a saúde das crianças.  As baixas temperaturas, nesse período, favorecem a propagação de vírus e bactérias, o que aumenta a incidência de doenças respiratórias, como a meningite.

“Os casos da doença podem ocorrer durante todo o ano, mas na estação seca e fria, deve-se redobrar os cuidados para evitá-la”, esclareceu a pediatra do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Dra. Geny Kitazawa, que concedeu uma entrevista exclusiva para sanar dúvidas sobre a meningite.


O que é a meningite infantil?
Dra. Geny Kitazawa – Meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o encéfalo e a medula espinhal. Os principais agentes etiológicos são: vírus, bactérias, fungos e parasitas.

Como essa doença é contraída?
Dra. Geny Kitazawa – A transmissão ocorre basicamente por via respiratória, através de contatos íntimos, como beijos ou através de secreções expelidas pela fala, tosse ou espirros.

Quais são os fatores de risco?
Dra. Geny Kitazawa –
Prematuridade, baixo peso ao nascimento, recém nascidos, cujas mães tiveram bolsa rota por mais de 24 horas, infecções genitais ou urinárias, complicações no parto, como sofrimento fetal e trauma obstétrico.

Em qual estação do ano os casos da patologia aumentam?
Dra. Geny Kitazawa –
A doença aparece em todas as estações, porém no inverno há maior incidência de casos, quando há aumento das infecções respiratórias, o que favorece a invasão da bactéria ou vírus e à disseminação da doença. Durante o inverno, também existe um confinamento maior das pessoas em ambientes fechados, aumentando a contaminação.

Quais são os sintomas da doença nas crianças?
Dra. Geny Kitazawa –
As meningites virais são em geral mais brandas, os sintomas são muito parecidos com os da gripe, como febre, mal- estar, dor de cabeça e vômitos. A evolução é mais benigna. Os enterovírus são responsáveis por 80% dos casos.  Pode haver infecção pelo Herpes vírus, quando então os sintomas se tornam mais graves, levando a sintomas de encefalite, como alterações do comportamento ou personalidade, alterações motoras ou sensoriais.

Já o quadro clínico das meningites bacterianas depende da faixa etária:

1) Recém-nascido até 3 meses: febre ou hipotermia, vômitos, recusa alimentar, irritabilidade ou letargia, convulsões, abaulamento de fontanella, apneia e coma;
2) 4 meses a 2 anos: febre, vômitos, cefaleia, irritabilidade ou letargia, diminuição do nível de consciência, abaulamento de fontanella, rigidez de nuca, convulsões, petéquias;
3) acima de 2 anos: febre, vômitos, cefaléia, fotofobia, irritabilidade ou letargia, sinais de irritação meningea, mialgia, petéquias.

Como é baseado o diagnóstico?
Dra. Geny Kitazawa –
As meningites bacterianas devem ser diagnosticadas precocemente, pois podem levar ao óbito. O diagnóstico é feito através do exame clínico e laboratorial: hemograma completo com plaquetas, glicemia, hemocultura, coagulograma, pcr, Liquor (quimiocitológico, bacteriscópico e cultura). Exames de imagem, como a tomografia de crânio ou ressonância magnética de crânio são solicitadas quando há suspeita de abscesso cerebral, hipertensão intra craniana ou encefalite.

Como é feito o tratamento?
Dra. Geny Kitazawa –
O tratamento é feito de acordo com o agente etiológico:
Meningites virais - suporte de hidratação e sintomáticos;
Meningites por herpes vírus - com anti-virais;
Meningites bacterianas - com antibióticos específicos para cada faixa etária.

De que forma a meningite infantil pode ser prevenida?
Dra. Geny Kitazawa –
A prevenção é feita por meio de vacinas já disponíveis na rede pública, como a anti-pneumocócica, anti-meningocócica e anti-haemophilus influenzae tipo B; vacinas virais (polio,sarampo,rubéola,caxumba e varicela); profilaxia de vacinas contra raiva para animais domésticos, para prevenção de encefalite por raiva. Além de cuidados dos profissionais de saúde na higiene após manuseio com doentes infectados e cuidados com a higiene corporal e ambiental, lavagem das mãos, manter ambientes arejados e, principalmente,  evitar a medicação sem prescrição.

 

Dra. Geny Kitazawa, médica pediatra do HNB (Foto: Raissa Lira)

Dra. Geny Kitazawa, médica pediatra do HNB.


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