Infectologista do HNB esclarece dúvidas sobre a caxumba

Postado em: 16/06/2016

Este ano a cidade de São Paulo registra um aumento significativo no número de casos de caxumba. Segundo a Coordenação de Vigilância em Saúde (COVISA) até o dia 14 de maio já resultava em 346, enquanto que no mesmo período do ano passado foram registrados apenas 68.

Segundo a infectologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Dra. Graziella Hanna Pereira, os casos da doença costumam aparecer em crianças no período de inverno e primavera. “É importante manter atualizada a carteira de vacinação para que esse número não aumente”, reforçou a especialista que alerta também: “podem existir outros vírus, que não a caxumba, que levam ao aumento das parótidas. O diagnóstico pode ser diferenciado pela sorologia”.

Para esclarecer dúvidas confira a entrevista abaixo!

O que é caxumba?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Caxumba é uma infecção de transmissão respiratória, levando a inflamação predominante das parótidas (glândulas salivares), com aumento de volume na parte lateral da face. É importante reforçar que o paciente pode não apresentar sintomas. Ocorre frequentemente em crianças e no período de inverno e primavera.

Muitas pessoas que contraíram a doença afirmam que tomaram todas as vacinas, a imunização não é 100% eficaz? Qual a vacina que previne contra caxumba? Quando deve ser aplicada?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Realmente nenhuma vacina é 100 % eficaz, e com o tempo a proteção pode cair, necessitando de reforço. A eficácia da vacinação está em torno de 95%. Podem existir duas situações para justificar o aumento de número de casos, queda da proteção ao longo do tempo e a não realização dos reforços ou mesmo de nenhuma vacinação.
O vírus é vivo atenuado. Contraindicada em grávidas e paciente com imunidade muito baixa.
Existem duas vacinas: SCR (sarampo, caxumba e rubéola) recomendada aos 12 meses e a Tetraviral (SCR associada a varicela) com reforço aos 15 meses de idade. Devem ser aplicadas entre 12-15 meses de vida e após reforço aos 4-6 anos ou na idade adulta em dose única nas mulheres até os 49 anos e nos homens até os 39 anos nos homens.  Podem ser recomendados reforços em caso de surtos.

Como ela surge? (Transmissão)
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Ela surge após o contato com uma pessoa infectada com secreção respiratória (espirros, gotículas de saliva e tosse). A transmissão começa 7 dias antes da inflamação das parótidas e até 7 dias depois. O período entre o contato com o doente e a manifestação dos sintomas varia de 10-21 dias

Quais são os sintomas?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Febre, mal-estar, dor no corpo e dor de cabeça.

Como é realizado o diagnóstico?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
O diagnóstico é clínico (detecção do aumento das parótidas) e sorológico (exame), que pode confirmar o diagnóstico e a alteração na amilase.

Causa complicações graves no organismo? Se sim, quais?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Sim, complicações como inflamação dos testículos (homens) e ovários (mulheres), podem ocorrer em 20-30%, podendo ser causa de infertilidade em 5% dos casos. Outras complicações: meningite viral, miocardite e pancreatite.

Como é realizado o tratamento?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Não existe tratamento específico para caxumba, apenas repouso e antiflamatório. Deve-se evitar aspirina.

Quais são as principais recomendações para não ter caxumba?
Dra. Graziella Hanna Pereira -
Vacinação é a estratégia mais eficaz. Importante também lavar as mãos no contato com secreções ou usar álcool gel.

(Foto: Simone Konsso)

Dra. Graziella Hanna Pereira é graduada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, possui Mestrado em Doenças Infecciosas e Parasitárias pela Universidade Federal de São Paulo e Doutorado em Ciências pela Coordenação dos Institutos de Pesquisa.


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