HNB destaca equipe clínica e estrutura diagnóstica como fator diferencial na luta contra o câncer

Postado em: 05/01/2015

Dados recém divulgados conjuntamente pelo INCA – Instituto Nacional do Câncer e pelo Ministério da Saúde revelam que serão registrados 580 mil novos casos de câncer no País em 2014.

De acordo com essa estimativa, os tipos de câncer mais incidentes na população brasileira ao longo deste ano, serão o de pele não melanoma, com 182 mil novos casos; de próstata, com 69 mil; de mama, com 57 mil; de cólon e reto, 33 mil; de pulmão. 27 mil; e de estômago, 20 mil. Excetuando-se o câncer de pele não melanoma, esses dados indicam que a ocorrência será de cerca de 395 mil novos casos, sendo 52% em homens e 48% entre as mulheres.

Para o Prof. Doutor Hakaru Tadokoro, Coordenador do Setor de Oncologia do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), considerado hoje uma das principais referências médico-hospitalares da cidade de São Paulo, esses números podem ser atribuídos, de forma geral, ao próprio processo de envelhecimento da população brasileira. O envelhecimento, segundo ele, traz mudanças nas células que aumentam a sua suscetibilidade à transformação maligna.

De maneira conceitual, esclarece o Dr. Tadokoro, o câncer é o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenças que têm em comum o crescimento desordenado de células que invadem tecidos e órgãos que, dividindo-se rapidamente, tendem a ser muito agressivas e incontroláveis, determinando a formação de tumores malignos que podem espalhar-se para outras regiões do corpo.

Dr. Tadokoro lembra que o câncer pode ocorrer em qualquer parte do corpo, porém, alguns órgãos são mais afetados do que outros como, por exemplo, pulmão, mama, colo do útero, próstata, cólon e reto (intestino grosso), pele, estômago, esôfago, medula óssea (leucemias) e cavidade oral (boca). E cada órgão, por sua vez, pode ser afetado por tipos diferenciados de tumor, menos ou mais agressivos.

Multicausalidade

Segundo o Dr. Tadokoro, os fatores de risco relativos ao câncer estão associados à multicausalidade, ou seja, à soma de diversas condições ambientais, comportamentais ou hereditárias, como por exemplo, a associação isolada ou combinada entre os hábitos do tabagismo, álcool, consumo alimentar, etc. O estudo desses fatores de risco tem permitido estabelecer relações de causa e efeito entre eles e a ocorrência de determinados tipos de câncer.

Nesse sentido, Dr. Tadokoro destaca toda a estrutura clínica e operacional do setor de Oncologia do Hospital Nipo-Brasileiro, integrada por três dos mais renomados especialistas ligados também à Unifesp, Santa Casa e Hospital A.C. Camargo, além de um sofisticado centro de atendimento diagnóstico contemplando serviços de ultrassonografia, tomografia, ressonância magnética, endoscopia e exames em geral.

Conforme as estimativas oficiais, a maioria dos casos de câncer (80%) está relacionada ao meio ambiente, onde podem ser encontrados inúmeros fatores de risco, como por exemplo, o cigarro pode causar o câncer de pulmão, a exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele e alguns vírus podem causar leucemia. Entende-se por ambiente o meio em geral, como a água, terra e ar; o ambiente ocupacional, como indústrias químicas e ou em geral; o ambiente de consumo, como alimentos e medicamentos; e o ambiente social e cultural, como estilo e hábitos de vida.

Por sua vez, são considerados raros os casos de câncer devidos exclusivamente a fatores hereditários, familiares e étnicos, apesar do fator genético exercer um importante papel na origem do câncer. Alguns tipos de câncer de mama, estômago e intestino parecem ter forte componente familiar, embora não se possa afastar a hipótese de exposição dos membros da família a uma causa comum. Determinados tipos étnicos parecem estar protegidos de certos tipos de câncer, como a leucemia linfocítica, rara em orientais e o chamado sarcoma de Ewing, raro entre os negros.

Incidência Regional

Levando-se em consideração o gênero, homens e mulheres apresentam diversos e diferentes tipos de câncer, conforme a região geográfica, descritos a seguir.

HOMENS

Próstata: Lidera o ranking dos mais incidentes em todas as regiões do País, sem considerar os tumores de pele não melanoma. A região mais afetada é a Sul, com 91 casos a cada 100 mil habitantes, seguida por Sudeste (88 casos por 100 mil), Centro-Oeste (63 casos por 100 mil), Nordeste (47 casos por 100 mil) e Norte (30 casos por 100 mil).

Pulmão: É o segundo mais frequente no País e nas regiões Sul (34 casos a cada 100 mil habitantes); e Centro-Oeste (14 casos a cada 100 mil). Já nas regiões Sudeste (19 casos a cada 100 mil); Nordeste (9 casos a cada 100 mil) e Norte (8 casos a cada 100 mil), ocupa a terceira posição.

Cólon e Reto (Intestino Grosso): É o terceiro mais incidente no País. Ocupa a segunda colocação na região Sudeste (23 casos a cada 100 mil) e a terceira posição na região Sul (20 casos por 100 mil) e na região Centro-Oeste (12 casos por 100 mil). Na região Norte (4 casos por 100 mil), está na quarta posição; e no Nordeste (6 casos por 100 mil), em quarto lugar.

Para esse tipo de câncer, os fatores de risco estão diretamente associados a alimentação inadequada, ao envelhecimento, histórico da doença em parentes próximos e descontrole de peso.

Dr. Tadokoro enfatiza que uma alimentação balanceada, com baixo teor calórico, rica em frutas, fibras e legumes, associada a hábitos saudáveis de vida, como a prática de atividades físicas, pode reduzir esse tipo de tumor.

Estômago: É o quarto colocado no País. Segundo tumor mais frequente nas regiões Norte (11 casos por 100 mil) e Nordeste (10 casos por 100 mil). Está em quarto lugar nas regiões Centro-Oeste (11 casos por 100 mil) e Sul (16 casos por 100 mil); e a quinta colocação na região Sudeste, com 15 casos por 100 mil habitantes.

Nesse tipo de câncer, o maior fator de risco é a infecção pela bactéria H.pylori. Outros fatores que contribuem para o surgimento desse tipo de câncer é alimentação pobre em vitaminas A e C e alto consumo de alimentos enlatados, defumados, com corantes e conservados em sal.

Cavidade Oral (Boca): Ocupa o quinto lugar geral entre a população masculina. Nas regiões Nordeste (7 casos por 100 mil) e Sudeste (15 casos por 100 mil) ocupa a quarta posição. Na região Centro-Oeste (8 casos por 100 mil) está na quinta colocação. Os principais fatores de risco são o fumo, o alcoolismo e infecções orais pelo HPV (papilomavirus humano).

Leucemias: Ocupa a quinta posição na Região Norte (4 por 100 mil). No ranking nacional está na nona posição.

Esôfago: Está na quinta colocação na região Sul (16 casos por 100 mil). Alcoolismo e beber líquidos muito quentes, como o chimarrão, são fatores de risco. No Brasil, ocupa a sexta colocação entre os homens.

MULHERES

Mama: É o tipo mais frequente nas regiões Sul (71 casos por 100 mil habitantes), Sudeste (71 casos por 100 mil), Centro-Oeste (51 casos por 100 mil) e Nordeste (37 casos por 100 mil). Na Região Norte é o segundo mais incidente, com 21 casos por 100 mil habitantes.

A idade é o principal fator de risco e o número de casos aumenta de forma acelerada após os 50 anos. Sua ocorrência está relacionada ao processo de urbanização da sociedade, evidenciando maior risco de adoecimento nas mulheres com elevado nível sócio-econômico.

Cólon e Reto: É o segundo mais frequente no País e nas regiões Sudeste (25 casos por 100 mil) e Sul (22 casos por 100 mil). É o terceiro mais incidente nas regiões Centro-Oeste (15 casos por 100 mil) e Nordeste (8 casos por 100 mil). Na Região Norte, com 5 casos por 100 mil habitantes, é o quarto colocado.

Colo do Útero: Ocupa o terceiro lugar geral no País. Está em primeiro lugar na Região Norte (24 casos por 100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (22 casos por 100 mil) e Nordeste (19 casos 100 mil) ocupa a segunda posição geral. Na região Sudeste (10 casos por 100 mil) é o quarto colocado e na Região Sul (16 casos por 100 mil), é o quinto mais incidente.

No Brasil, a estratégia de rastreamento preconizada é que as mulheres dos 25 aos 64 anos façam o exame preventivo (Papanicolau) a cada três anos, após dois exames com intervalo de um ano, com resultado normal.

Pulmão: Quarto tipo mais comum no Brasil. É o terceiro mais frequente nas regiões Sul (21 casos por 100 mil) e Sudeste (11 casos por 100 mil). Nas regiões Centro-Oeste (8 casos por 100 mil) e Nordeste (6 casos por 100 mil) ocupa a quarta posição. No Norte (5 casos por 100 mil) aparece em quinto lugar.

Estômago: É o terceiro mais incidente na Região Norte (6 por 100 mil) e o quinto no Brasil, no Nordeste (6 casos por 100 mil) e no Sudeste (8 casos por 100 mil).

Tireoide: É o quinto colocado na classificação nacional. Na Região Sul é o quarto colocado com 16 casos novos por 100 mil habitantes. Na região Sudeste aparece na sexta posição.

Ovário: É o quinto colocado na Região Centro-Oeste, com 7 casos novos por 100 mil habitantes. Na classificação nacional, aparece na oitava posição.

Em termos estatísticos, Dr. Tadokoro revela que o Setor de Oncologia do HNB atende uma média mensal de 80 pacientes, metade dos quais para tratamento de quimioterapia e a outra metade para ações de manutenção de cateteres, envolvendo especificamente cânceres de mama, próstata, Cólon e Reto.


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