Exercícios físicos no inverno exigem cuidados por risco de parada cardíaca

Postado em: 21/06/2016

De acordo com o cardiologista do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Dr. Acácio Fernandes Cardoso, o corpo humano tem sua temperatura normal em torno de 36,5°C, por isso, durante a estação mais fria do ano é preciso ter cuidados redobrados ao praticar exercícios físicos, pois aumenta o risco de parada cardíaca.

“Alguns estudos demonstram que no período do inverno o risco de doenças cardiovasculares pode aumentar em até 30%. É importante ressalvar que essa afirmação é válida, principalmente, para as pessoas com maior risco em desenvolver problemas cardíacos, como os hipertensos, diabéticos, fumantes, obesos e idosos. Nesse grupo, o risco é maior e o cuidado deve ser redobrado”, afirmou o especialista que explica abaixo o porquê isso acontece.

A prática de atividades físicas no inverno aumenta o risco de parada cardíaca?
Dr. Acácio Fernandes Cardoso: A temperatura do nosso corpo é regulada em torno de 36,5°C. Durante o inverno, o organismo aumenta o metabolismo corporal para produzir calor. Isto é feito à custa de diminuição da circulação sanguínea para a pele e a musculatura, aumento do apetite para gerar energia através do consumo de gorduras e carboidratos, além de diminuição da frequência da respiração. Alterações na coagulação sanguínea, nos níveis de colesterol e do cortisol sérico e até na concentração da vitamina D, podem explicar uma maior predisposição para doenças cardíacas no inverno. No coração, as baixas temperaturas podem elevar a pressão arterial, aumentar a frequência dos batimentos cardíacos e provocar constrição dos vasos sanguíneos que irrigam o coração, predispondo ao surgimento de episódios de angina (um tipo de dor no peito associado à isquemia no coração) e aumentando o risco de infarto agudo do miocárdio, uma das principais causas de parada cardíaca. Alguns estudos já demonstraram uma elevação de até 30% no risco de doenças cardiovasculares durante o inverno. É possível que o aumento de infecções respiratórias e da qualidade do ar registrados nessa época, possam contribuir para estes números. A inflamação, ocasionada pelas infecções respiratórias e pela poluição, podem acometer a superfície dos vasos sanguíneos, que se tornam mais vulneráveis à trombose, seja no coração ou no cérebro. É importante ressalvar que essa afirmação é válida, principalmente, para as pessoas com maior risco para desenvolver doenças cardíacas como os hipertensos, diabéticos, fumantes, obesos, idosos e para os que já apresentam algum problema cardiovascular. Nesse grupo, o risco é maior e o cuidado deve ser redobrado.

O chamado choque térmico pode provocar alguma alteração no coração?
Dr. Acácio Fernandes Cardoso: O choque térmico se caracteriza pela mudança abrupta de temperatura, seja do ambiente frio para o quente ou do quente para o frio. O calor excessivo produz dilatação dos vasos sanguíneos, isso pode provocar queda da pressão arterial e sintomas como mal-estar, fadiga, tonturas e até desmaios. A ingestão de pelo menos 2 litros de água por dia, além de evitar situações que podem predispor ao surgimento dessas alterações, como permanecer longos períodos de pé em locais fechados sob temperaturas elevadas, podem diminuir as chances de aparecimento desses sintomas.
Já o choque térmico associado à mudança de um ambiente quente para um frio, a depender da intensidade e do tempo de exposição, também pode provocar repercussões no coração. Alterações nos níveis da pressão arterial, dos batimentos cardíacos e na circulação sanguínea podem aumentar o risco de picos hipertensivos, arritmias, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

Quais os cuidados para prática de atividades físicas durante o inverno?
Dr. Acácio Fernandes Cardoso: Para pessoas com risco cardíaco elevado, ou seja, com hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, fumantes ou que já tiveram algum problema no coração, a avaliação cardiológica antes da realização de exercícios é fundamental. Essa indicação também é válida para os que apresentam algum sintoma relacionado ao coração, como cansaço excessivo, palpitações, dor no peito, tonturas e desmaios. Somente após a avaliação do cardiologista podem ser liberados para prática de atividades físicas. Já para os praticantes assíduos que não abrem mão de exercícios no inverno, procure utilizar roupas adequadas para evitar perda de calor, faça aquecimento da musculatura antes de iniciar as atividades e prefira ambientes fechados com temperatura acima de 20°c.
Apesar de elevar o risco de problemas cardíacos durante o inverno, a atividade física, desde que bem recomendada, constitui-se em uma das principais formas de prevenção de doenças cardiovasculares e deve ser estimulada sempre que possível. Uma avaliação criteriosa e a prescrição de orientações adequadas à condição clínica do paciente podem minimizar o risco de problemas cardíacos durante sua realização, independente da temperatura e da estação do ano.

(Foto: Raissa Lira)

Dr. Acácio Fernandes Cardoso é cardiologista pela Universidade Estadual de Montes Claros; especialista em arritmias cardíacas pelo Instituto do Coração/HCFMUSP; possui certificado de atuação na área de eletrofisiologia invasiva conferido pela Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas - SOBRAC e pela Associação Médica Brasileira – AMB.


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