Especialistas japoneses explicam avanços da cirurgia robótica e os desafios da saúde

Postado em: 18/03/2014

Confirmando seu permanente compromisso com a medicina de ponta e com as inovações tecnológicas, o Hospital Nipo-Brasileiro (HNB) promoveu uma dupla palestra com os Prof. Dr. Go Watanabe, cardiologista e considerado atualmente o maior especialista japonês em cirurgia robótica e com o Prof. Dr. Kenji Kawachi, Professor-Assistente de Cirurgia Cardiovascular da Tokyo Medical University.

Como professor titular de cirurgia cardiovascular do Kanazawa University Hospital e presidente da Associação Japonesa de Cirurgia Robótica, o Prof. Dr. Go Watanabe tem no seu curriculo mais de 3 mil cirurgias cardíacas com 99,5% de sucesso.

Nesta sua 6ª visita ao Brasil a convite da Enkyo – Beneficência Nipo-Brasileira de São Paulo e Hospital Nipo-Brasileiro, o Prof. Dr. Go Watanabe, de 55 anos, fez uma brilhante exposição ao corpo médico do HNB sobre os avanços da cirurgia robótica no Japão.

EXPERIÊNCIA

Apoiado nessa vasta e significativa experiência, Dr. Watanabe destacou o papel da cirurgia robótica como o divisor de águas de uma nova era não apenas no campo da cardiologia, mas também nas demais especialidades como nas áreas digestiva, pulmonar, cervical, urológica e outras.

Segundo ele, os recentes avanços na medicina, especialmente no campo da anestesia e dos equipamentos ópticos, tem permitido oferecer aos pacientes cirurgias minimamente invasivas, com o máximo de segurança e rápida recuperação.

Hoje, segundo o Dr. Watanabe, existem instalados no Japão cerca de 800 robôs em atividade.

DESAFIO

Por sua vez, o Prof. Dr. Kenji Kawachi, professor-assistente de cirurgia cardiovascular da Tokyo Medical University explicou que apesar dos significativos avanços tecnológicos já conquistados, o Japão vive hoje o grande desafio de equacionar a elevação exponencial dos custos de seu sistema de saúde, provocados entre outros, pelo crescente desequilíbrio em sua pirâmide etária que registra uma redução sistemática da população jovem, ou seja, de contribuintes, e o crescimento dos idosos, os principais usuários dos serviços.

Até há pouco tempo, patrocinado integralmente pelo governo japonês, o sistema de saúde foi reformulado recentemente com o repasse de 30% dos custos à população usuária através de uma espécie de seguro saúde, arcando o Estado com os 70% restantes.

DILEMA

E a exemplo do que ocorre no Brasil, o Dr. Kenji explica que o Japão vive hoje também o conflito entre falta de médicos e a má distribuição desses profissionais nas regiões de maior concentração (Sul) e de maior carência (Norte) do país.

E na condição de Presidente da Associação Médica de Tokyo, ele acrescenta que diante desse impasse, discute-se a conveniência de estimular o surgimento de mais faculdades médicas ou promover a importação de médicos estrangeiros, ou ainda, a redução do tempo hoje exigido para a formação de profissionais médicos, de seis (6) para quatro (4) anos, como solução para reequilibrar a capacidade geral de atendimento à saúde no País.


Compartilhe: