Especialista esclarece mitos sobre a Menopausa

Postado em: 11/04/2016

De acordo com especialistas a menopausa marca o fim da idade fértil da mulher. Por ser uma fase de transição muito importante de seu ciclo biológico gera diversas dúvidas. Para ajudar a esclarecer mitos, o ginecologista e obstetra do Hospital Nipo-Brasileiro (HNB), Dr. Marcelo Hoshino, responde algumas perguntas.

Quais são as fases do ciclo reprodutivo feminino?
Dr. Marcelo Hoshino - Didaticamente, variando com os diversos autores, pode-se dividir o ciclo reprodutivo em:
a) Menarca - primeira menstruação da mulher, ocorre na puberdade, geralmente entre 10 e 17 anos;
b) Menacme - período reprodutivo da mulher;
c) Climatério - fase de transição entre o menacme e a menopausa. Duração de tempo variável, muito individual;
d) Menopausa - última menstruação da mulher; após, denomina-se "pós-menopausa". A idade média da menopausa na mulher brasileira (em estudo de 11 anos, realizado entre 1983 a 2004) é de 48,1 anos. Outros estudos mostram que 50% das mulheres terão sua última menstruação entre os 49 e 51 anos.

O que é exatamente a menopausa?
Dr. Marcelo Hoshino -Tecnicamente, menopausa é o termo utilizado para determinar a última menstruação da mulher, após a ausência do período menstrual por 12 meses.

Existe relação entre a idade em que a mulher tem a primeira menstruação (menarca) e a última (menopausa)? Se ela teve a primeira menstruação cedo, a última vai ser cedo também?
Dr. Marcelo Hoshino - Apesar de estudo realizado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), pela Profa. Angela Maggio da Fonseca, ter mostrado que as mulheres que menstruaram antes dos 14 anos tenderiam a ter a última menstruação antes dos 50, a maioria dos autores (nacionais e internacionais) tendem a acreditar que não haveria relação alguma, ou seja, a idade da menarca tem se antecipado no mundo, mas a idade da menopausa tem se mantido constante.

A mulher que tomou pílula anticoncepcional por muito tempo vai demorar a entrar na menopausa?
Dr. Marcelo Hoshino - Mito, que deve ser afastado. O uso de anticoncepcionais não impede a perda constante de folículos que ocorre a cada mês, não alterando a idade da menopausa.

Quais são os principais sintomas da menopausa?
Dr. Marcelo Hoshino - Varia de acordo com cada pessoa, desde quadros clínicos muito leves (aproximadamente 10% das mulheres), a quadros mais intensos, com sintomas que podem incluir ondas de calor, insônia, nervosismo, depressão, fadiga, dor nas articulações, cefaleias, palpitações, secura vaginal, atrofia na pele, etc. Além disso, é frequente o encontro de osteoporose, que mesmo não sendo sintoma, é importante relatar, pois as consequências podem ser muito prejudiciais.

Como é realizado o diagnóstico da menopausa?
Dr. Marcelo Hoshino - Basicamente pelo quadro clínico apresentado pela paciente, e eventualmente com o auxílio de exames laboratoriais subsidiários.

Quais cuidados médicos a mulher deve adotar na menopausa?
Dr. Marcelo Hoshino - A consulta com o especialista é fundamental, pois a conduta é individualizada para cada paciente. Se há um exemplo na qual a relação médico-paciente é muito importante, é quando se decide qual a melhor opção terapêutica deve ser utilizada para cada paciente em particular. Nesse ponto o diálogo é fundamental.

Muitas mulheres relatam incômodos nessa fase, dá para amenizar? Se sim, como? Existe tratamento? Qual?
Dr. Marcelo Hoshino - Lembrando que o quadro clínico pode variar de paciente para paciente. Há diversas alternativas que podem ser tentadas, a mulher não precisa mais ficar se abanando ou deixando o ar-condicionado do carro no frio máximo, há sempre uma alternativa que pode se adequar, respeitando-se o binômio necessidade/possibilidade, ou seja, se há necessidade de terapêutica hormonal, se não há contraindicações, ou mesmo se a paciente deseja ou não utilizá-la.

Nos casos em que as mulheres não podem ou não querem utilizar a terapêutica hormonal, o que é indicado?
Dr. Marcelo Hoshino - Nessa situação pode-se tentar:
a) Medidas comportamentais – que envolvem atividade física, dieta adequada, atividades de inserção social, etc.;
b) Fitoterápicos – utilização de substâncias “naturais”, com estrutura molecular muito semelhante aos estrogênios da mulher, e que ajudariam a minimizar seus sintomas;
c) Inibidores de recaptação de serotonina – o FDA americano (órgão governamental dos Estados Unidos da América responsável pelo controle dos alimentos, suplementos alimentares, medicamentos, cosméticos, equipamentos médicos, materiais biológicos e produtos derivados do sangue humano) liberou a utilização da paroxetina (potente antidepressivo) na dose de 7,5mg para controle das ondas de calor; temos vários estudos na literatura com a utilização de outras substâncias, como por exemplo a venlafaxina (antidepressivo), com bons resultados. Uma das possíveis explicações é de que essas substâncias agiriam diretamente no centro termorregulador, diminuindo a sensação dos calores.

O tratamento de reposição hormonal facilita o ganho de peso? Pode provocar doenças cardiovasculares?
Dr. Marcelo Hoshino - Outro mito. Ocorre uma redistribuição da gordura corporal na pós-menopausa, e a gordura começa a se concentrar no abdômen e nas mamas. Quanto à ocorrência de doenças cardiovasculares, a resposta precisa ser dividida: a ação isolada do estrogênio causaria vasodilatação, além de redução na gordura na parede arterial, especialmente quando utilizada no período perimenopausa; porém, em artérias já prejudicadas, com a presença de aterosclerose já estabelecida, facilitaria a trombose e oclusão dessas artérias, aumentado a ocorrência de infartos ou acidentes vasculares cerebrais. Isso atesta a necessidade da individualização da terapêutica hormonal para cada paciente.

IMPORTANTE
“Para encerrar, seria oportuno lembrar que o estudo norte-americano do Women's Health Initiative (WHI) demonstrou que a utilização da terapêutica estro-progestativa (estrogênio associado à progesterona) pode aumentar após 5 anos de utilização, a incidência de 8 novos casos de câncer de mama para cada 10 mil usuárias. Ou seja, um aumento de aproximadamente 30% na incidência absoluta de câncer de mama nessas pacientes, fato que não se tem visto nas usuárias de terapêutica hormonal, exclusivamente, estrogênica (indicada especialmente nas mulheres que já foram submetidas à retirada cirúrgica do útero).

(Foto: Raissa Lira)

Dr. Marcelo Hoshino é especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); especialista em Ultrassonografia em Ginecologia e Obstetrícia pelo Colégio Brasileiro de Radiologia; especialista em Patologia Cervical Uterina e Colposcopia; advogado formado pela Universidade Bandeirante de São Paulo e pós-graduando em Direito Civil e Processual Civil pela Universidade Anhanguera.


 


Compartilhe: