EMTN - A equipe multidisciplinar como diferencial na terapia nutricional e segurança do paciente

Postado em: 18/04/2014

Orientada pela Organização Mundial da Saúde e gerenciada rigorosamente pelos órgãos de acreditação reconhecidos, a segurança dos pacientes transformou-se num dos principais indicadores de qualidade e eficiência das instituições médico-hospitalares.

Não por acaso, essas instituições têm investido sistematicamente na atualização e treinamento de seus profissionais com o claro objetivo de fazer frente aos contínuos desafios exigidos na rotina de atendimento e segurança dos pacientes.

E nesse processo, as atividades de enfermagem, nutrição, fonoaudiologia, farmácia e médica na conduta dietoterápica (oral, enteral e parenteral) tem sido fatores determinantes no esforço de conquista da excelência no atendimento dos pacientes hospitalares.

Comprometido com esse objetivo, o Hospital Nipo-Brasileiro notabilizou-se em 1986, pela criação e implementação de forma pioneira, da primeira Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN), coordenada pelo Dr. César Quintão Brant e considerada hoje uma referência no segmento hospitalar.

Por definição, a nutrição enteral é aquela que não utiliza a via oral normal para a entrada dos alimentos. Ela se faz através de sondas introduzidas diretamente no estômago ou no intestino do paciente. Os pacientes que recebem dieta por sonda ficam temporária ou permanentemente impedidos de receber alimentação por via oral, mas seu trato gastrointestinal deve estar em condições de realizar o mecanismo de digestão.

As indicações visam as lesões do Sistema Nervoso Central (SNC), estado de coma, debilidade, traumatismos faciais, obstruções no tubo digestivo, fístulas, síndromes disabortivas, septicemia, anorexia, depressão profunda, desnutrição severa, queimaduras extensas, pós-operatórios, estados de insuficiência respiratória, renal, cardíaca ou hepática.

Por sua vez, a nutrição parenteral é a alimentação que fornece todos os nutrientes necessários ao paciente por via venosa. É uma solução manipulada e preparada com os elementos necessários à alimentação de pacientes em condições especiais, tanto em regime hospitalar, como ambulatorial ou domiciliar.

Ela deve ser utilizada quando o trato gastrointestinal não está apto a receber alimentos, ou seja, no agravamento do quadro do paciente que recebe nutrição enteral ou em casos de obstruções severas do tubo gastrointestinal, pancreatites, fístulas, traumatismos, intervenções cirúrgicas, pós-operatórios, doenças inflamatórias intestinais, síndromes disabortivas, septicemias, queimaduras graves e extensas, e ventilação mecânica prolongada.

CONSENSO

Confirmando a importância e o rigor que envolve atualmente esse assunto em todo o universo médico-hospitalar, o Comitê de Enfermagem da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral desenvolveu e implementou um programa de capacitação específico, denominado “ Meeting de Boas Práticas de Enfermagem em Terapia Nutricional”, que tem como objetivo fundamental subsidiar as decisões e atuações dos profissionais dessas duas áreas   na rotina de atendimento dos pacientes.

Focado no objetivo de promover intercâmbio entre enfermeiros, estabelecer consensos e fornecer subsídios para o cumprimento das melhores práticas assistenciais na terapia nutricional, esse programa de capacitação acabou gerando um bem elaborado livro em formato de bolso intitulado “Terapia Nutricional Enteral e Parenteral – Consenso de Boas Práticas de Enfermagem” voltado para a consulta diária desses profissionais.

Dados desse importante trabalho coordenado por especialistas em qualidade e nutrição parenteral e enteral e com a colaboração de um elenco de profissionais de diversas instituições hospitalares, dentre os quais o HNB, revela que a prevalência de desnutrição moderada e grave em hospitais é alta no Brasil (48,1%), e é considerado um dos principais responsáveis pelo aumento dos custos hospitalares e de morbidade. Adicionalmente, alguns estudos têm mostrado que após a hospitalização, os pacientes apresentam uma piora em seu quadro nutricional.

Participando como representante da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) do HNB no Comitê de Enfermagem da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, a enfermeira Simone Teixeira de Sousa explica que a desnutrição hospitalar pode ser atribuída a diversas causas, como, por exemplo, relacionadas à própria doença (anorexia, má absorção, catabolismo), a fatores circunstanciais, como medicamentos, ansiedade e mudança de hábitos alimentares, e também a fatores iatrogênicos, como avaliação inadequada do paciente (não mensuração de peso e altura), rotatividade e despreparo do pessoal, ausência de controle da ingestão alimentar e retardo na indicação da terapia nutricional.

DIFERENCIAL

Para a nutricionista e especialista em nutrição clínica, Lilian Chika Kato, que também integra a Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional (EMTN) do HNB, todos esses fatores revelam a importância da identificação dos pacientes em risco de desnutrição ou já desnutridos no momento da hospitalização, que deve ser feita já nas primeiras 24 horas e, no máximo, 48 horas, para estabelecer plano terapêutico após a internação.

Para permitir que todos os pacientes sejam avaliados nesse período, Lilian destaca a importância da triagem nutricional, que consiste na realização de um inquérito simples com o paciente ou seus familiares para a identificação de eventual risco nutricional.

Destacando a EMTN do Hospital Nipo-Brasileiro como diferencial no tratamento e segurança dos pacientes, Simone lembra que o enfermeiro exerce um papel fundamental nesse processo: “ por ter o primeiro contato na admissão do paciente, ele é capaz de detectar precocemente os pacientes desnutridos e com perfil para a terapia nutricional especializada, que acaba incorporado no histórico de enfermagem e de avaliação inicial desse paciente”.

Ressaltando ainda, com a presença da fonoaudióloga Patricia Nagato, avalia o paciente com risco de broncoaspiração, verificando a possibilidade de manter a oferta de dieta via oral, com necessidade, às vezes, de modificação. Realiza-se reabilitação, acompanhamento da aceitação alimentar e comunica a equipe multidisciplinar para intervenção precoce tendo um papel importante na detecção do risco nutricional.

  • A preocupação focada na desnutrição e/ou risco nutricional no ambiente hospitalar, o HNB tem como compromisso garantir o aporte nutricional de qualidade aos seus pacientes. Atualmente, os suplementos nutricionais prescritos pelas nutricionistas são ofertados pela equipe de enfermagem e registrado em prontuário eletrônico onde é possível acompanhar e monitorar a aceitação dessa oferta.
  • Realizamos também um Plano educacional para os pacientes e seus familiares como atribuição capaz de minimizar complicações e garantir a segurança do paciente, familiares e cuidadores durante o período de hospitalização e pós alta hospitalar.


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