Disfagia Orofaríngea e seus cuidados

Postado em: 24/11/2014

Disfagia Orofaríngea é a dificuldade de engolir, seja alimento, secreção e medicamento, considerando desde o momento de retirada do alimento do talher até a passagem desse alimento pela faringe.

A origem dessa doença pode ser mecânica, quando ocorre alteração em uma ou algumas das estruturas envolvidas no processo de engolir; neurológica, quando o cérebro não consegue realizar o comando para tal ação ou medicamentosa (interação de muitos medicamentos) quando causa muita sonolência, lentidão dos movimentos do corpo e rebaixamento de nível de consciência.

Os sinais e sintomas geralmente apresentados são: tosse ou engasgo com alimento ou saliva; pneumonias de repetição, refluxo gastroesofágico; febre sem causa aparente, sensação de bolo na garganta, recusa alimentar, sonolência durante as refeições, sinais clínicos característicos de aspiração, ou seja, voz molhada (falar gargarejando), fala lentificada, dispneia ou aumento de secreção em vias aéreas superiores.

A disfagia tem tratamento, para isso é necessário procurar um fonoaudiólogo para que seja feita a avaliação das estruturas de boca e região laríngea assim como avaliar se é necessário realizar alguma modificação do alimento (ofertar alimento mais umidificado, picado, pastoso ou batido e líquidos espessados).

Para auxiliar na avaliação e conduta do tratamento, o fonoaudiólogo muitas vezes sugere a realização dos exames: avaliação endoscópica funcional da deglutição (conhecida também por nasofibrolaringoscopia funcional) e ou videodeglutograma. Ambos são realizados nesta instituição.

Seguem algumas orientações sobre cuidados com pacientes disfágicos:

ORIENTAÇÕES DOMICILIARES

As condutas específicas variam de acordo com cada caso. As orientações básicas ao alimentar um paciente disfágico devem ser seguidas pela família e ou cuidador.

Devem ser observadas as consistências dos alimentos liberadas inclusive líquidos espessados, o que será decidido, principalmente, após a avaliação fonoaudiológica e ou exames objetivos da deglutição.

  • Apresentar os alimentos, mesmo triturados ou batidos, em porções separadas, não misturar, pois o aroma e o sabor devem ser apetitosos, garantindo o prazer e o interesse pela alimentação;
  • O paciente acamado deve ser mantido em decúbito elevado (sentado, se possível) e posicionar a cabeça com travesseiro;
  • Introduzir o alimento com colher de sobremesa (colher pequena para ofertar pouca quantidade de alimento por vez), bem à frente em relação à boca;
  • Solicitar que mastigue bem e não falar enquanto come;
  • Não apressar a introdução do alimento, certificar-se de que o paciente engoliu toda a porção antes de oferecer outra “colherada”;
  • Retirar a prótese dentária quando estiver frouxa ou utilizar fixador de dentadura;
  • Alimentar em ambiente tranquilo, sem distrações (TV, grupo conversando);
  • Realizar higiene oral sempre após cada refeição e verificar o estado dentário do paciente (mau estado dentário aumenta o risco de broncopneumonia).

MATERIAIS QUE PODEM AUXILIAR A REFEIÇÃO DO DISFÁGICO

  • Copo com alças para segurar com firmeza;
  • Copo plástico com “recorte para o nariz” para o paciente não precisar inclinar a cabeça à frente ao tomar o líquido;
  • Canudos finos somente quando o paciente consegue monitorar a quantidade sugada, quando orientado pelo fonoaudiólogo;
  • Pratos antiderrapantes (fundo com material emborrachado) com borda alta;
  • Talheres engrossados ou colheres “tortas” e pequenas (de sobremesa).

Vários materiais podem ser indicados para o paciente realizar sua refeição de forma confortável e segura. As orientações devem ser seguidas conforme as prescrições realizadas pela equipe médico-terapeuta.

Nunca modificar as condutas prescritas e manter contato com os especialistas que acompanham o paciente, informando qualquer modificação no quadro disfágico.

(Foto: Raissa Lira)* Patricia Noriko é fonoaudióloga do Hospital Nipo-Brasileiro.


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